Robôs humanoides provocam fascínio e medo ao mesmo tempo


Ostentando um cabelo castanho, a robô humanoide chamado Erica conversa com um homem na frente de membros da audiência atordoados em Madri. Ela e outros robôs humanoides são o foco principal da pesquisa robótica, já que sua forma humana pode ser a chave para integrar essas máquinas em nossas vidas, disseram pesquisadores reunidos nesta semana na Conferência Internacional sobre Robôs Inteligentes.

“Você mencionou o gerenciamento de projetos. Você pode, por favor, me contar mais?” Erica, que está fazendo o papel de empregadora, pergunta ao homem.

Ela pode não entender a conversa, mas foi treinada para detectar palavras-chave e responder a elas.

Uma fonte de controvérsia, em parte devido aos medo de acabar com o emprego humano, a presença de robôs em nossas vidas diárias é, no entanto, inevitável, disseram engenheiros na conferência.

O truque para torná-los mais palatáveis, acrescentaram, é fazê-los parecer e agir de forma mais humana, para que possamos aceitá-los em nossas vidas com mais facilidade.

Em sociedades envelhecidas, “robôs coexistirão com humanos mais cedo ou mais tarde”, disse Hiroko Kamide, um psicólogo japonês especializado em relações entre humanos e robôs.

Dar boas-vindas a robôs em nossas casas ou local de trabalho envolve o desenvolvimento de “máquinas polivalentes capazes de interagir” com seres humanos sem serem perigosas, disse Philippe Soueres, chefe do departamento de robótica de um laboratório pertencente ao instituto científico francês CNRS.


Por que humanoides?

Como tal, os robôs devem se movimentar “de uma maneira flexível”, apesar de sua mecânica rígida e parar o que estão fazendo em caso de qualquer imprevisto, acrescentou.

É por isso que as pessoas estão escolhendo “sistemas modulares em forma de corpos humanos”, que devem se encaixar facilmente em ambientes do mundo real construídos para humanos. Por exemplo, o Atlas, um robô humanoide fabricado pela Boston Dynamics, pode ser executado em diferentes tipos de superfícies.

Em Madri, Marc Raibert, fundador da empresa americana, fez um vídeo mostrando Atlas fazendo um backflip.

Atlas, um robô humanóide fabricado pela Boston Dynamics, pode ser executado em diferentes tipos de superfícies

Em um sinal de temores sobre os potenciais usos futuros desses humanóides, a Anistia Internacional acusou a Atlas, financiada por uma agência do Departamento de Defesa dos EUA, de ser um “robô assassino” feito para a guerra futura.

Outro exemplo de robôs humanoides apresentado em Madri é o Talos, um robô fabricado pela empresa espanhola Pal Robotics, que testou sua estabilidade em uma prancha de equilíbrio.

Embora possa não ser a única forma usada para aqueles que entram em contato com humanos, “é mais fácil para as pessoas aceitarem os robôs quando têm rostos semelhantes a humanos porque as pessoas podem esperar como os robôs se moverão, reagirão”, disse Kamide. Isso é reconfortante, mas também tem seus limites.

A teoria do “vale misterioso” do pesquisador japonês Masahiro Mori, que ele desenvolveu na década de 1970, afirma que reagimos positivamente a robôs se eles têm características físicas que nos são familiares, mas eles nos perturbam se começarem a parecer muito com a gente.

“Você nunca pode fazer uma face humana perfeita” e essa imperfeição provoca um sentimento de “rejeição” entre os humanos, disse Miguel Salichs, professor do laboratório de robótica da Universidade Carlos III de Madri.

Como tal, ele escolheu transformar seu robô Mini Maggie em um pequeno animal de desenho animado.

Entender os humanos

No Japão, robôs como o Erica já são usados ​​como recepcionistas. Mas para um de seus criadores, Hiroshi Ishiguro, professor da Universidade de Osaka, os robôs humanoides são, acima de tudo, “uma ferramenta muito importante para entender os seres humanos”.

Os pesquisadores têm que pensar muito sobre a forma humana e como os seres humanos interagem para desenvolver robôs que se parecem com eles. “Nós entendemos os humanos usando robôs, a importância, por exemplo, de olhar para os olhos”, disse Ishiguro, que também fez robôs que parecem celebridades mortas, ou “estátuas em movimento”.

Ele acredita que os robôs humanoides são os melhores para melhorar as interações entre robôs e humanos.”O cérebro humano tem muitas funções para reconhecer os humanos. A interface natural para os humanos são os humanos”, disse Ishiguro.robô humanoide sofia

Para Jurgen Schmidhuber, presidente da NNAISENSE, os robôs – sejam eles humanoides ou não – farão parte do nosso futuro. Eles não apenas imitam os humanos, mas resolvem os problemas com a experiência graças à inteligência artificial sem “um professor humano”, acredita ele.

Como foi demonstrado, os robôs humanoides são tendência para o futuro nas mais diversas funções, mas ainda há muito trabalho a ser feito para torná-los seguros e responsivos à realidade.

Via Phys.org

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